Em 10 anos, o Brasil perdeu mais de 300 mil jovens caídos pela violência. A média é de 75 homicídios por dia - divulga o Ipea
Terça 26/05/26 - 10h32O Brasil perdeu 301 mil e 825 jovens entre 15 e 29 anos para a violência em um período de onze anos.
É o que revela o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, dia 26 de maio .
Entre 2014 e 2024, 301.825 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados.
A média choca: 75 homicídios por dia ao longo de toda a década .
Somente no ano passado, 19 mil e 801 jovens morreram vítimas da violência.
Representa uma taxa de 42,2 homicídios para cada 100 mil habitantes na faixa etária de 15 a 29 anos .
O perfil da vítima se mantém o mesmo há anos.
Dos jovens mortos em 2024, 18 mil e 545 eram homens.
A taxa de homicídios para o sexo masculino chegou a 78 por 100 mil, quase o dobro da taxa geral da juventude .
Especialistas apontam que a violência mortal é predominantemente masculina e armada, resultado de fatores estruturais.
Os números indicam:
Enquanto São Paulo registrou a menor taxa do país em 2024, com 10,7 homicídios por 100 mil jovens, a Bahia liderou o ranking da violência, alcançando 114,7 homicídios por 100 mil jovens — um índice dez vezes maior que o paulista .
Na comparação entre 2014 e 2024, os maiores índices de redução foram registrados no Distrito Federal, com queda de 79,6%, seguido por Goiás e São Paulo.
Já as maiores altas no mesmo período ocorreram no Amapá, Pernambuco e Bahia .
O levantamento é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública .
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11h, terça-feira, da Agencia Brasil
Brasil alcança maior índice de desenvolvimento humano da história
Políticas públicas como o Bolsa Família impulsionaram resultado
ANDREIA VERDÉLIO – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
O Brasil ingressou, pela primeira vez, na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”. Em 2024, o país alcançou 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação a 0,744 em 2012. A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo muito alto: acima de 0,800.
A informação é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil que divulgou, nesta terça-feira (26), a pesquisa Radar IDHM.
O marcador avalia os parâmetros de saúde e longevidade, educação e geração de renda, de acordo com a cor (negro e branco) e o sexo (mulher e homem). A publicação considera os últimos 13 anos – de 2012 a 2024.
Quando o programa das Nações Unidas começou a calcular esse índice, há 30 anos, o Brasil era um país de IDHM baixo, ou seja, menor que 0,555.
O parâmetro que mais impulsionou o IDHM neste período foi a educação, ao passar de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.
A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou, nesse contexto, a concessão do Bolsa Família.
“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira.”
Betina Barbosa lembrou que o programa, criado em 2003, começa a produzir efeitos cerca de dez anos depois, justamente quando o primeiro grupo de beneficiários completa um período satisfatório de ensino, do fundamental e médio.
Famílias negras
Segundo ela, a melhoria dos indicadores de educação nesse período é mais significativa entre famílias de renda mais baixa, em especial, as negras.
“É aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. Então, a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano. Isso acontece a partir de 2016 de forma ascendente.”
A especialista ressalta que não existe alternativa para a melhoria do desenvolvimento brasileiro sem incluir a população negra na agenda de políticas públicas. O mesmo vale para as mulheres. “Esses são dois entraves sérios para o Brasil, a desigualdade de raça e a desigualdade de gênero.”
Saúde e renda
A coordenadora explicou que, dos subíndices, a política pública de saúde é a que mais produz resultados positivos para o país, com performance de “muito alto desenvolvimento” já em 2012 (0,829), em razão da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da Constituição de 1988. Mesmo assim, é o que apresenta crescimento mais lento, chegando a 0,860 em 2024.
Já o parâmetro da renda cresce em baixa velocidade, de 0,732 em 2012, para 0,760 em 2024, no patamar de alto desenvolvimento.
Regiões metropolitanas
De acordo com os dados do Pnud, as regiões metropolitanas são os locais onde os brasileiros vivem melhor e puxam o IDHM do país para cima.
Alguns estados, sobretudo das regiões Sul e Sudeste, já têm IDH altíssimo, mas a média do Brasil é acompanhada por regiões metropolitanas que antes eram consideradas regiões da periferia brasileira.
Como exemplo, Betina cita a Grande Teresina, no Piauí, com índices muito altos de desenvolvimento humano: 0,809.
“Esses territórios que antes puxavam a média Brasil para baixo, porque não acompanhavam o ritmo de crescimento, agora são unidades que ajudam o país a alcançar a média ‘muito alta’.”
Entre os nove estados da Região Nordeste, sete regiões metropolitanas já apresentam o IDH muito alto. “Isso é algo inédito nos trabalhos que nós realizamos no Pnud.”
Veja lista dessas regiões:
Natal - 0822
Aracaju - 0,809
Grande Teresina - 0,809
Recife - 0,806
São Luís - 0,806
Salvador - 0,803
João Pessoa - 0,803
Negação
Para o Pnud, nos anos de 2020 a 2022, o país enfrentou uma crise sistêmica devido à pandemia de covid-19. Em 2021, o IDHM do país chegou a 0,757. A especialista pondera que o mais preocupante para o Brasil foi a negativa de que esse colapso iria produzir efeitos negativos sobre o desenvolvimento. (...)


